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Filosofia Franciscana
A crise da atualidade atinge dimensões sociais de vazio, solidão, medo, ansiedade e agressividade sem objetivos. Nesse contexto, a figura de Francisco de Assis surge como altamente significativa: a figuração mais cristalina daqueles sonhos e daquele modo de relacionar-se que, hoje, todos buscamos.
O que mais impressiona o homem moderno, ao confrontar-se com a figura de Francisco, é sua inocência, seu entusiasmo pela natureza, sua ternura para com todos os seres, sua capacidade de compaixão pelos pobres e de confraternização com tudo, incluindo a própria morte.
Ele mostra em sua vida que para ser santo se precisa ser humano. E para ser humano é necessário ser sensível e terno. Assim, é que a ternura de Francisco aparece, especialmente, na convivência. Uma atitude de carinho para além do princípio do prazer é a fonte que alimenta a verdade das relações humanas.
Tal atitude, Francisco a cultivava com todas as criaturas. Trata-se de um modo de “ser-no-mundo”, não sobre as coisas, mas junto com elas, como irmãos e irmãs, em casa. Por isso, o mundo franciscano é cheio de reverência e de respeito. Entre as criaturas, existem laços de consangüineidade e, porque são irmãos, não podem ser violados, mas devem ser respeitados.
Nisso, aparece a radical pobreza de Francisco: um modo de ser pelo qual o homem deixa as coisas serem; renuncia a dominá-las e a submetê-las e a serem objeto da vontade de poder e ambição humanas. Abdica de estar sobre elas para colocar-se junto delas. Assim, quanto mais pobre, mais livre Francisco se sente. A posse é que cria obstáculos à comunicação dos homens entre si e com a natureza. Interesses, egoísmos, possessão exclusiva se interpõem entre o homem e seu mundo. A pobreza aproxima o homem da realidade, pois lhe permite comungar com todas as coisas, no respeito e na reverência de sua alteridade e diferença.
A fraternidade é resultado do “modo-de-ser-pobre” de Francisco. Sentia-se verdadeiro irmão porque podia acolher todas as coisas sem interesses de lucro e de eficiência. Verdadeiro irmão universal, cultivava a humildade como uma atitude cordial pela qual o homem se coloca no chão (= húmus) junto às coisas com simplicidade.
Esses são os valores que perfazem a experiência de Francisco de Assis, transmitidos há oito séculos pelos franciscanos do mundo inteiro. Na educação, são os referenciais necessários para a formação de gerações conscientes do primado da ternura, da pobreza e da fraternidade.
Fonte: Colégio Bom Jesus
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