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Quaresma: preparar-se para viver com qualidade
Quaresma vem do latim Quadragésima e faz referência ao número quarenta. Na Bíblia este número é significativo e simbólico. Em geral, significa um tempo de preparação, que pode envolver provações. Encontramos na Sagrada Escritura vários exemplos de preparação, que duravam quarentas dias ou quarenta anos, para acontecimentos importantes. Recordamos, por exemplo, que o Povo de Deus caminhou no deserto durante quarenta anos antes de chegar à terra prometida e que Jesus se preparou no deserto durante quarenta dias, antes de iniciar sua vida pública. Aliás, a Quaresma quer justamente recordar este período significativo da vida de Jesus.
O tempo da Quaresma tem seu início na Quarta-feira de Cinzas e segue até a Quinta-feira Santa, antes da missa da Ceia do Senhor. A Quarta-feira de Cinzas recebe este nome porque, durante a Missa deste dia, o cristão recebe uma cruz na fronte. As cinzas recordam que somos pó e que ao pó voltaremos, ou seja, recordam que somos pessoas efêmeras e frágeis. Desta maneira, nos convida a olharmos para Aquele que não passa: Deus, princípio e fim de nossa vida, nossa origem e nossa meta.
O convite central deste período é para a conversão. Conversão refere-se à mudança de pensamentos, de atitudes, de vida. Está associada também a uma mudança na maneira como vemos os demais seres humanos. Somos convidados a converter o nosso olhar e ver o outro como um irmão de caminhada. Imperfeito, muitas vezes, como nós também somos, mas irmão. É um convite a acolher e perdoar, verbos fundamentais para construir ou manter uma convivência marcada pela paz.
No período da Quaresma, a Igreja nos apresenta três caminhos que podem auxiliar no processo de conversão: a oração, o jejum e a esmola. Estes três caminhos permitem que coloquemos em prática os dois principais mandamentos: amar a Deus e amar ao próximo. Por meio da oração nos aproximamos de Deus e de nós mesmos. O jejum ajuda a exercitarmos o auto-controle, importante numa sociedade onde tudo parece não ter limites. A esmola, que deveria ser o resultado ou fruto do nosso jejum, permite que nos aproximemos do irmão, em especial do que mais sofre ou passa necessidades.
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