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Campanha da Fraternidade: auxílio para viver melhor a Páscoa
No período da Quaresma, os cristãos são convidados pela Igreja a se preparar para a Páscoa, festa importante na qual recordamos a Morte e Ressurreição de Jesus. Quando nos preparamos para algo é sinal que desejamos que este algo aconteça da melhor maneira possível. Ou seja, preparar-se tem algo a ver com qualidade. Viver a Quaresma como preparação significa querer que a Páscoa tenha mais sabor.
No caminho de preparação para a Páscoa, a Igreja no Brasil nos propõe um auxílio: a Campanha da Fraternidade (CF) que, como o próprio nome sugere, quer ser um convite para olharmos nossa realidade, refletirmos sobre ela e tomarmos atitudes concretas para reconstruí-la de maneira mais fraterna. A cada ano, somos convidados a refletir sobre um tema, orientado por um lema. Neste ano de 2010, o tema da CF é Economia e Vida e o lema é: “Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro”.
O objetivo principal da CF é colaborar na promoção de uma economia a serviço da vida e não em favor do lucro. Neste contexto, cabe lembrar que a CF não é contrária ao dinheiro ou aos bens, pois tem consciência que são necessários para o sustento e a manutenção da vida. A CF quer propor uma reflexão sobre a maneira como o dinheiro é visto e usado, procurando afirmar que ele não pode ser a motivação última do nosso agir. A CF também não quer apenas se limitar a criticar sistemas econômicos, mas quer dar respostas concretas às necessidades básicas das pessoas, sempre respeitando a natureza e os limites do nosso planeta Terra.
Com esta motivação, somos convidados, num primeiro momento, a olharmos para nossa realidade. Certamente encontraremos pontos positivos, mas, do ponto de vista da economia, percebemos que algo está errado. Por exemplo, de acordo com o Texto Base da CF 2010, em 2008, os bancos ganharam mais dinheiro do que todas as nações pobres do mundo em 50 anos. Também em 2008, a União destinou 30,57% do seu orçamento para pagar nossa dívida pública, e apenas 11,73% para gastos com saúde, educação, habitação, segurança pública, urbanismo, cultura, entre outros. Outros tantos exemplos poderiam nos ajudar a perceber que a economia nem sempre favorece a vida.
Porém, não podemos desanimar. Somos convidados a julgar esta realidade (no sentido de refletir e denunciar). Para nos auxiliar nesta tarefa, a CF propõe meditar alguns textos bíblicos. A Bíblia, entre tantas coisas, fala também do relacionamento entre as pessoas do ponto de vista da economia. Recordamos, por exemplo, textos que propõem o “ano do jubileu”. No sétimo ano a terra devia descansar (Cf. Lv 25,2-17) e todas as dívidas seriam perdoadas (Cf. Dt 15,1-2) e, no qüinquagésimo ano, quem tivesse perdido sua terra poderia recuperá-la (Cf. Lv 25,10-17). Outros textos recordam a importância do respeito, da justiça e do cuidado com relação aos mais indefesos, ou seja, os pobre, os órfãos, as viúvas e os estrangeiros (Cf. Is 1,17-18; Dt 15,7-8; Dt 24,19-22). A Carta de Tiago, um escrito do Novo Testamento, afirma que a verdadeira religião diante de Deus consiste em socorrer os órfãos e as viúvas e manter-se livre da corrupção do mundo (Cf. Tg 1,26-28). O que dizermos então das palavras e ações de Jesus? Muitas passagens dos Evangelhos mostram que toda sua vida foi uma doação, em especial aos que mais precisavam.
Após olharmos a realidade e julgá-la, somos convocados a contribuir com a construção de uma economia a favor da vida, apoiando os projetos já existentes e gestando projetos favoráveis à vida. Caso contrário, se a CF não nos convocasse a mudar nossa maneira de pensar e agir, não atingiria seus objetivos. Para a construção de uma economia em favor da vida, torna-se importante, entre outras coisas, diminuir a influência dos grupos mais ricos na economia, para que se abra espaço de participação das demais pessoas nas decisões econômicas; continuar defendendo a auditoria da dívida pública; exigir políticas redistributivas, defender a preservação do meio ambiente e educar para a solidariedade valorizar e dar espaço aos pobres, para que se tornem protagonistas da sua história e não apenas vê-los como objetos ou alvos de nossa caridade e do assistencialismo do governo.
Destacamos que a CF recorda e fornece algumas dicas para mudarmos nosso pensar e nosso agir. Voltemos o nosso olhar para o nosso cotidiano e procuremos perceber onde podemos contribuir para que a CF saia do papel e não acabe nascendo na Quaresma e morrendo na Páscoa. Novas relações econômicas são possíveis. Podemos dar o primeiro passo.
(Texto adaptado do Manual da CFE 2010)
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