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Viver sempre é possível. Morrer, porém, é inevitável. A aventura da vida fica mais emocionante no duelo entre a vida e a morte, quando o perigo provoca a nossa coragem e a tragédia assusta a nossa ousadia.
Nos momentos cruciais e decisivos, em meio ao pânico ou profundo abandono, sobreviver é uma questão de mérito e bravura. A derrota é inadmissível diante de uma barreira que parece insuperável. É preciso, além de tudo, dominar o medo, enfrentar a incerteza.
À beira do abismo os minutos são derradeiros. O pesadelo se estende enquanto ainda resistimos com a última gota de esperança. A situação é crítica, o problema é grave, o beco sem saída, a fé se abala, angústia e desespero escurecem nossa visão e nos obrigam a entregar os pontos e nos conformarmos diante do quadro irreversível.
Eis que entra em cena a sobrevida. A serenidade do espírito espanta o pesadelo. A escuridão se dissipa aos poucos quando aumenta rapidamente o foco de luz fixo no fim do túnel. Uma palavra amiga desata o nó na garganta e conforta o sofrimento do coração. O celular toca e alguém informa que a proposta foi aprovada. Abrimos os olhos e o médico, sorridente, nos dá boas-vindas dizendo que a cirurgia foi bem sucedida. A tempestade passa, surge um lindo arco-íris, a ferida se cicatriza, bênçãos são derramadas, graças são alcançadas, surgem respostas e soluções sobre o impossível que para Deus é naturalmente possível.
São nas situações dramáticas de risco, superando as fraquezas e limitações, que ganhamos as sobrevidas. Nascemos de novo, renascemos... ultrapassando o eventual limite, prevalecendo sobre o ilusório fracasso, triunfando numa batalha que parecia totalmente perdida.
Pensando bem, se somos privilegiados por várias sobrevidas, morrer é natural, perder é normal, entretanto, não podemos abusar do imprevisto e brincar com o destino como nos filmes de Hollywood, onde tudo dá certo para os “mocinhos” e astros heróis.
Se somos um alvo perfeito, precisamos ser muito ariscos para escapar ilesos. Se a doença se agrava, precisamos insistir com prudência e sensatez nas orientações médicas durante o tratamento. Se a crise dificulta o entendimento em busca de uma solução plausível, é necessário agir com inteligência e muita artimanha para inverter o impasse.
Na vida real o desfecho é bem diferente do cinema, mas se houver seriedade e dedicação numa causa nobre e justa, haverão portas abertas, surgirão caminhos, saídas, soluções esplêndidas para tudo. O criador, com sua poderosa excelência, concede-nos as sobrevidas e a jornada continua no dia seguinte.
A sobrevida é o prêmio dos aventureiros que enxergam um manancial no final do deserto, que avistam estrelas entre raios e trovões, que não perdem a fé e a esperança de realizar a qualquer momento seus grandes sonhos e nobres ideais.
Quem sobreviver e contemplar cada sobrevida, compreenderá o mistério que envolve os improvisos do próprio destino. Será um aventureiro vencedor, um herói da vida real sem precisar de efeitos especiais.
A sobrevida é o prêmio dos aventureiros
que enxergam um manancial no fim do deserto,
que avistam estrelas entre raios e trovões.
Luizinho Bastos
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