Por causa de ti, ó poesia,
amanheço inspirado sem querer
e como se não tivesse nada pra fazer
torno-me um andarilho com passos longos,
caçando palavras, ouvindo histórias,
tropeçando em pedras no reino das idéias,
vendo quem passa, confessando ao silêncio
minhas secretas inspirações
que fazem dos meus caminhos, célebres pergaminhos.

Por causa de ti, ó poesia,
tornei-me escravo da fantasia, choro de alegria,
sofro antes de sofrer, e com as mãos vazias
faço o mundo aparecer, basta a jangada do tempo me conduzir,
trazer-me de volta ao recanto do meu ser.

Por causa de ti, ó poesia,
perco noites de sono, cochilo sobre o papel,
improviso idéias ao som do abandono,
atravesso rios, brinco com desafios,
tenho quedas e ascensões, pois,
julgo-me submisso a ti, tu és minha paixão,
meu ganha pão, meus passos são passageiros de tua estrada,
és o meu caminho promissor, quero-te como a vida
muito mais que o amor.

Por causa de ti, ó poesia,
minha amada, minha deusa, só por causa de ti,
hei de ser fiel para onde me mandares
para que eu consiga ser imortal saltando
o muro dos séculos, reiniciando sempre que chegar ao fim...
por isso, imploro-te, ó poesia, enquanto existires
mostre a felicidade pra mim.

Luizinho Bastos



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