Um guri com os pés descalços,
saiu avisando pelo cortiço
que uma criança iria nascer,
causando aquele reboliço!
Não era boato a boa nova,
nem diz-que-diz-que de viela;
uma mulher daria à luz
num barraco da favela.

Pouco a pouco a vizinhança
ao acolher o pobre casal,
percebeu a coincidência:
era véspera de Natal.
As mulheres, então, saíram,
com assanho e euforia,
convidando todo o povo
para o Natal na periferia.

E a boa nova se espalhou
mobilizando a juventude,
de boca em boca foi à creche,
do armazém ao posto de saúde.
Pelos botecos e esquinas,
no centro comunitário,
o nascimento do bebê
causou muito comentário.

Avisaram os operários
que trabalhavam na construção;
convidaram as meretrizes
e os catadores de papelão.
Mestiços, migrantes, mendigos,
a moçada da favela,
o bêbado ficou sabendo
e prometeu levar uma vela.

Anoiteceu - céu estrelado;
lua clara - sereno vento.
Em procissão foram chegando
cantando hinos de advento.
Todos saudaram o casal
e o bebê - futuro herdeiro;
e unidos formaram
o presépio verdadeiro.

De repente fez-se silêncio.
Eis o esperado momento.
Das entranhas, um gemido...
Nasce um lindo rebento!
Aplausos! Sorrisos! Festa!
Abraços e grande harmonia!
Até o cachorro "vira-lata"
abanou o rabo de alegria.

E todos maravilhados
contemplavam o renovo;
nunca se viu tanta esperança
no coração daquele povo.
Glória a Deus nas alturas!
Aleluia! Paz, luz, amor!
Deus escolheu a periferia
para nascer o Salvador.

LUIZINHO BASTOS
Colégio Franciscano Nossa Senhora Aparecida

 


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