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[...] "Euclides da Cunha produziu o primeiro grande painel sobre a vida do sertanejo, desnudando as mazelas decorrentes do convívio entre suas particularidades e a organização cosmopolita da República recém proclamada. " [...]
(Antônio Candido)
Os 100 anos de morte de Euclides da Cunha (1866-1909), o autor do clássico Os Sertões será lembrado durante todo o ano nos eventos organizados pela Academia Brasileira de Letras. A direção da Academia promete realizar a maior exposição em torno da obra monumental do escritor, que deverá chamar: Euclides Vive! - além de ciclos de palestras, visitas guiadas, entre outros. Euclides da Cunha era sociólogo, historiador, engenheiro e repórter do jornal O Estado de São Paulo. Em 1902 escreveu Os Sertões, que foi escrito durante a Campanha de Canudos, da qual o escritor participou em missão de impressa. Constatou em sua obra que o sertanejo é um forte despeito da carga histórica, das precárias condições locais e da forte miscigenação das raças, por isso contrariou os princípios causalistas, evolucionistas e deterministas que dominavam o pensamento da época. Além disso, ao documentar o conflito em entre diferentes culturas criou uma linguagem própria, composta pela observação aguda e sistemática da realidade da região. Como jornalista publicou ensaios de natureza sociológica. Pode-se dizer que a fortuna crítica de Euclides da Cunha é comparável a Machado de Assis.
Sugestão da Semana: Euclides da Cunha, na opinião do crítico Antônio Candido é o primeiro escritor a fazer o grande painel sobre a vida do sertanejo. A Biblioteca Santa Clara possui no acervo a obra Os Sertões.
Michelle Medeiros
mmedeiros@acf.org.br
Referências
CANDIDO, Antônio. A palavra empenhada. São Paulo: EdUSP, 1994.
MASINA, Léa. Guia de Leitura. Porto Alegre: L&PM, 2007.
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