Silêncio e solidão. Duas áreas mágicas no destino dos aventureiros. Dois tempos inseparáveis de combinação harmoniosa que resistem a altas e baixas temperaturas, sustentando décadas de ininterrupta produção. Ambos estados de domínio humano podem parecer monótonos e descartáveis no mundo globalizado de alianças virtuais que exige velocidade, precisão, além de conceitos e padrões ultramodernos que avançam e se inovam num piscar de olhos. Todavia, por mais engenhoso e benéfico que seja o espaço cibernético, nada se iguala a uma preciosa virtude durante o amadurecimento de nossos projetos: a paciência histórica, fomentada pelos hábitos de silenciar-se e comunicar-se com o mundo, isolar-se sem excluir-se de causas nobres e coletivas.
Num determinado período da vida, tornamo-nos sementes no núcleo da terra, sepultamos nosso valioso segredo, investimos num grande sonho, para sermos uma árvore com raízes fortes e profundas, galhos e folhas resistentes, inúmeros e saborosos frutos. Inicia-se então a emocionante aventura com detalhes e técnicas de produção que caracterizam o tipo de árvore que somos. O processo é moroso, carece de instrumentos e elementos como chuva, sol, experiência, dedicação e insistência. Mantendo a esperança entre o silêncio e a solidão, os dias parecem séculos, a introspecção uma eternidade, a terra onde depositamos a promessa apresenta uma lenta fertilidade.
Misteriosamente nos escapa o domínio desse cultivo, nos distraímos à procura de outros solos e, para nossa vibrante alegria, surge o caule, depois as primeiras folhas e lentamente os brotos. A nossa árvore humana começa a se formar, a crescer, a dar vigor ao tronco, a conquistar um espaço exclusivo no bosque. Surgem os primeiros frutos milagrosamente saborosos e a aventura fica cada vez mais emocionante. Revezam-se as estações do ano, alguns projetos ficam adiados provisoriamente, surgem imprevistos, é preciso avaliar a jornada para continuar investindo em novos frutos e a nossa árvore permanece paralisada, porém, a concentração nos momentos de solidão e a fervorosa oração durante horas silenciosas, suscitam a energia necessária para continuar o crescimento, a produção de nossas obras.
Com o passar do tempo, percebemos que outras árvores pequenas e infrutíferas se distanciam de nós, desaparecem, talvez porque não foram cultivadas durante anos de silêncio e solidão. Enquanto que nossa árvore continua produzindo, evoluindo, crescendo, envelhecendo o tronco e os galhos, mas jamais o espírito e os frutos.
As grandes árvores são solitárias. Produzem e tornam-se belas isoladamente, geram frutos silenciosamente. Não significa que estão desligadas da sociedade, das pessoas e das causas nobres. Gênios da humanidade imortalizaram sonhos nas áreas mágicas do silêncio e da solidão. O mesmo fato ocorre com filósofos, poetas, compositores, cientistas, estadistas e não será diferente conosco nos desafios que enfrentamos silenciosos e solitários.
A vida será sempre uma emocionante aventura se perseverarmos na função de árvores solitárias sem demonstrar egoísmo e individualismo, partilhando e distribuindo belos frutos, espalhando beleza, alegria, esperança, paz, justiça, solidariedade sem limites num intercâmbio universal sem fronteiras. Precisamos ter a paciência e o equilíbrio de uma grande árvore que apesar de solitária e silenciosa, gerará frutos e suas sementes serão úteis para a colheita das futuras gerações.

As grandes árvores são solitárias.
Produzem isoladamente. Geram frutos silenciosamente.

Luizinho Bastos


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